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Dia Internacional dos Monumentos E SÍTIOS 2026:

"Que monumento  não preservámos no passado recente, ou queremos preservar para o futuro?"

Capela de Nossa Senhora da Penha de França – Faial

1. Capela N. S. Penha - Faial.jpeg

Esta pequena capela, integrando um penedo oco que fora antes local de prática de ritos africanos por pessoas escravizadas das fazendas de cana de açúcar circundantes, está preservada no sítio da Fazenda, Faial. Merece agora atenção especial face ao anunciado campo de golfe naquele vale, que desconhecemos de que forma vai ou não afetar o enquadramento deste monumento único na paisagem que agora a envolve.

Fortaleza de São Tiago – Funchal

Apesar de ser monumento classificado, este estatuto não tem garantido a manutenção periódica da pintura exterior das suas muralhas, que se apresentam em mau estado quando vistas do mar. Interiormente está conservado, mas é necessário atender à apresentação exterior deste monumento importante da baía do Funchal!

Calçada madeirense em calhau rolado – adro da igreja do Caniço

3. Calçada madeirense Caniço.jpeg

É um bom exemplo de conservação deste tipo de calçada, mas esta não é a regra. Fala-se na inscrição da calçada madeirense no Inventário Nacional do Património Imaterial, mas é preciso mais: um roteiro que dê a conhecer a todos os pontos onde se pode encontrar exemplares desta calçada na R.A.M., garantir que este saber-fazer é passado às novas gerações, pois há quem esteja a intervir nestas calçadas sem qualidade ou respeito pelos materiais originais, e ainda apoio financeiro aos privados que queiram conservar este património, pois muitos estão a substituí-lo por outros pavimentos.

Casa de Dona Guiomar de Sá Vilhena – Funchal

4. Casa de Dona Guiomar de Sá Vilhena .jpg

No cruzamento da rua dos Netos com a rua do Castanheiro passamos indiferentes à casa de Dona Guiomar de Sá Vilhena, a primeira grande empresária madeirense, dona de uma frota cujos barcos se diz que vigiava do “mirante de D. Guiomar”, integrado na hoje designada Quinta Vigia. Ali está a casa, um imóvel importante para a memória histórica da cidade, aguardando a ruína definitiva e a demolição? Ainda pode ser salva…

Rua da Carreira – Funchal

5. Sítio rua da Carreira - palacetes 1.jpeg

Apesar de já ter muitas intervenções inadequadas, esta rua mantém um conjunto de edificações tradicionais de grande importância  e deveria ser classificada como um sítio urbano a preservar. Demasiados imóveis arruinados (Canavial, Zinos, antiga fábrica Kiekieben, etc.) nesta artéria central do Funchal parecem aguardar o destino de tantos outros desta cidade, demolidos sem respeito pelo que devia ser uma verdadeira Área de Recuperação Urbana, que apesar de existir não garante a preservação do património edificado.  

Casa em ruínas – Campo da Barca, Funchal

6. Casa antiga e construção de prédio - Funchal.jpeg

Esta bonita casa de arquitetura tradicional segue a sua ruína junto à construção de um novo prédio de apartamentos. O estado desta e de tantas outras casas arruinadas nesta cidade alertam-nos para o que devia ser a salvaguarda do património urbano, com verdadeiro incentivo aos proprietários para o manterem, como acontece em países europeus onde as cidades preservam os seus centros históricos. Não é impossível conciliar a conservação do património e o crescimento urbano, há bons exemplos e deveríamos aprender com eles.  

Estabelecimentos comerciais tradicionais – junto ao Mercado

dos Lavradores

7. Estabelecimentos comerciais tradicionais.jpeg

Já escasseiam no Funchal estas lojas e bares tradicionais com os seus letreiros característicos, que merecem ser mantidos e preservados, no interior com os seus móveis antigos, e no exterior com as cores das fachadas e os letreiros que as identificam. As chamadas “lojas de tradição” têm que ser mais do que uma distinção, é preciso apoio concreto a quem as mantém, para mais nesta época de pressão urbanística em que estão prestes a desaparecer.

Frescos – sacristia da Sé do Funchal

8. Frescos da sacristia da Sé.jpeg

Há alguns anos, estes frescos invulgares na Madeira foram reabilitados e deixados à vista de todos os que ali passam. Decoravam originalmente as paredes interiores de um anexo da sacristia, e desde a demolição desse anexo ficaram ocultos pela nova pintura das paredes até ao seu restauro.  A conservação dos frescos está agora em risco pela exposição aos elementos naturais (chuva ou sol intenso) e até ao vandalismo. Deveriam continuar à vista, mas protegidos destes riscos, se não queremos perdê-los no futuro.

Tipografia Comercial – Rua da Queimada de Cima, Funchal

9. Tipografia Comercial -  Funchal.jpeg

Recentemente, um artigo do Diário de Notícias chamava a atenção para este estabelecimento único, o último do género no Funchal, que se encontra à venda com o seu recheio de máquinas antigas, em funcionamento até há poucos anos. Deveria ser preservado e constituir mais um dos muitos pontos de interesse a visitar no Funchal por madeirenses e turistas, como memória viva de um tempo anterior à evolução das práticas gráficas, desaparecido com as novas tecnologias deste sector.

Praia do Vigário – Câmara de Lobos

10. Praia de calhau – Ponta do Sol.jpeg

O nosso litoral, património paisagístico único, está exposto ao avanço do mar, motivado pelas alterações climáticas e subida do nível dos oceanos, de proporções alarmantes até final deste século segundo os estudos científicos. Temos que proteger as nossas praias e toda a nossa costa já, através das boas práticas preconizadas pelos cientistas, se queremos prevenir os efeitos mais catastróficos do avanço do mar e proteger as populações do litoral.

Coberturas em colmo

11. Coberturas em colmo tradicionais - postal c. 1970.JPG

Outrora eram abundantes por toda a Madeira, em casas ou palheiros que caracterizavam a nossa paisagem, mas hoje escasseiam devido à dificuldade da sua manutenção. Já há poucos que saibam trabalhar e substituir periodicamente estas coberturas, e a sua classificação como património madeirense e consequente apoio e incentivo aos respetivos proprietários, bem como formação das novas gerações neste “saber-fazer”, é muito importante para que não se perca esta herança, que não se pode restringir a algumas “casinhas de Santana”.

Construções em pedra – Curral das Freiras

12. Curral - construção em pedra Fajã Escura.JPG

Pouco conhecido ainda, um conjunto considerável de antigas construções em pedra no Curral das Freiras foi divulgado pelo botânico curraleiro Padre Manuel Nóbrega e recentemente pelo fotógrafo Nuno Gonçalves, que as pesquisou, fotografou e geolocalizou, dando a conhecer algumas destas construções antes desconhecidas. Há várias teorias sobre a sua origem, mas poucas certezas. O importante é que sejam classificadas, preservadas e divulgadas como património único que são, permitindo que no futuro outros se debrucem sobre estas construções como objetos de estudo.

Vale do Curral das Freiras

13. Curral - vale sem teleférico 1.jpeg

A paisagem do magnífico vale do Curral das Freiras, vivida pelos locais e de visita obrigatória por quantos há muito visitam a Madeira, vai ser cortada por fios de um teleférico e de um zipline, se este projeto seguir em frente. Ainda há tempo para salvar a paisagem e preservar este património natural único, criando outras oportunidades alternativas para a economia local que passem pelo turismo sustentável e não agressivo.

Lagoa do Fanal – Paúl da Serra

14. Lagoa do Fanal.jpeg

A lagoa do Fanal é um local mágico, a ser vivido no silêncio e na pura imersão na paisagem da floresta Laurissilva madeirense, já classificada como património natural. Hoje, o silêncio e a preservação da floresta são ameaçados por um turismo predador da natureza. Vemos que há esforços públicos para controlar os efeitos do acesso excessivo e vandalizador, e são precisos mais ainda. Não podemos arriscar danos ou perdas quando em causa estão locais maravilhosos como esta lagoa e toda a paisagem em que se integra.

Casas de salão, Porto Santo

15. Porto Santo - casas de salão.jpeg

As casas de cobertura de salão, características do Porto Santo, estão ao abandono por toda a ilha. É urgente o município classificar e apoiar a preservação deste património local, que poderia ser visitável e um ativo de interesse importante nesta ilha que se tem tornado um foco de atração turística crescente.

Calhau na praia do Porto Santo

16. Porto Santo - praia de calhau.jpeg

O mar avança, a areia diminui e já há zonas de calhau onde outrora havia areia, entre o porto de abrigo e o cais do Porto Santo. Estamos longe do descalabro irreversível de outras praias do país e vamos a tempo de evitá-lo. As intervenções urgentes para preservar o tesouro que é esta praia já foram estudadas e anunciadas, mas ainda não se verificaram, pelo menos em toda a extensão da praia. É urgente preservar toda a praia do Porto Santo, acima de todos os interesses que não sejam o de salvar a praia, ameaçada pelas alterações climáticas e pela pressão construtiva junto das dunas. 

Moinho de água – Santana

17. Moinho de Santana.jpeg

Este moinho e o seu moleiro resistem felizmente aos novos tempos de consumo rápido, assegurando aos já escassos produtores de cereais a moenda tradicional do seu milho e trigo. O negócio enfrenta dificuldades e segundo o moleiro, não há sucessor para esta importante função. Apela-se à Câmara Municipal de Santana para que intervenha e apoie a preservação e a continuidade deste moinho de água, dos poucos que ainda se mantém em funcionamento na Madeira.

Muros de pedra aparelhada do Porto Santo

18. Muros de crochet PXO.jpeg

Os muros de pedra aparelhada do Porto Santo, designados “muros de crochet” pela sua peculiar técnica de construção, são característicos da paisagem rural da ilha e objeto de ajuda à sua manutenção por fundos da União Europeia. Impõe-se divulgar mais esta ajuda e incentivar as novas gerações a conhecerem esta técnica, assegurando no futuro a preservação destes muros.

“Rua das padarias” – Porto Santo

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Esta é uma rua de memórias para os porto-santenses e visitantes. Uma rua de casas de arquitetura tradicional onde se localizava parte importante do comércio – o mercado antigo, a mercearia do Sr. António Isidro e várias padarias que vendiam pão inigualável. Hoje, apesar de alterações e intervenções arquitetónicas variadas, a rua mantém uma ambiência  e um conjunto de edificações que ainda evocam esses tempos não muito distantes. Deveria ser classificada como sítio urbano e na reabilitação dos imóveis, ser preservada a integridade dos elementos ainda existentes, nesta época de grande pressão imobiliária.

Jardins tradicionais das casas madeirenses

20. Jardim tradicional em casa - Funchal.jpeg

Como as próprias casas, estes jardins tão característicos (em espaços ajardinados públicos e em edifícios públicos e privados) estão em risco de desaparecimento. Por maior facilidade de manutenção, neles se substituem frequentemente calçadas por pavimentos modernos, arrasam-se canteiros e ornamenta-se o espaço com vasos pré-plantados, e por todo o lado se perde a memória dos antigos espaços e flores, dando lugar a plantas normalizadas vindas das estufas. Podemos só lamentar a perda ou pedir o apoio e incentivo à preservação de jardins como este? Fazem e farão falta.

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