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Roteiro das Casas com Histórias do Curral das Freiras
FONTENÁRIO

Casas Próximas – 1º fontenário público do Curral das Freiras

 
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Este foi o primeiro fontenário público a ser construído no Curral das Freiras, e o único existente nesta freguesia durante várias décadas do séc. XX
Deveu-se à iniciativa da Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal [entidade com competências alargadas nas áreas da instrução pública, fomento industrial e agrícola e obras públicas, embora limitada pela tutela e interesses do poder central. Funcionou entre 1901 e 1975 no distrito do Funchal].
O problema do abastecimento de água às populações era antigo no arquipélago da Madeira. No Curral das Freiras, cujas nascentes brotam das vertentes do Pico Ruivo e Torres, corre a Ribeira dos Socorridos, que atravessa a freguesia de norte a sul e desagua entre a vila de Câmara de Lobos A água era abundante, mas alimentava a Levada Nova do Curral e Castelejo, a Levada dos Piornais e a Levada da Torre, beneficiando as freguesias funchalenses de São Martinho e Santo António e Câmara de Lobos, o que condicionava a população local a diversas estratégias de abastecimento e distribuição para consumo doméstico e rega.
Em Setembro de 1904 a Junta Geral adquiriu a Luís Soares de Sousa Henriques sete penas de água [a “pena de água” é uma medida usada no fornecimento de água potável, correspondente a 1 litro por minuto, durante 24h por dia] destinadas ao fontenário das Casas Próximas.
O fontenário foi construído na esquina da casa pertencente ao mesmo Luís Soares de Sousa Henriques (1831-1911), proprietário nesta freguesia, mas residente no sítio das Preces, Câmara de Lobos. A casa seria herdada pelo seu filho João Soares Henriques (1872-1956), médico, e era conhecida no Curral por “casa do Dr. Soares Henriques” ou por “quinta”.
No piso térreo existiu a “venda” [estabelecimento comercial tradicional com duas partes delimitadas, bar e mercearia] de Manuel Francisco Pinto de Abreu, que na década de 1930 era regedor desta freguesia e viria a adquirir esta propriedade. Nas últimas décadas do seu funcionamento, o estabelecimento era conhecido como “venda da Clarinha”, em homenagem à sua última proprietária, nora do anterior.

Fontenario2.jpg

Pormenor de fotografia evidenciando o quarteirão que é hoje o Centro Cívico do Curral das Freiras: é visível a antiga casa em cuja esquina se encontrava o fontenário, delimitada pelo muro amarelo no adro da igreja paroquial; ampliando a imagem, o fontenário é visível na esquina da propriedade.
S.n., início da década de 1970. Fonte: Herança do Curral das Freiras, https://www.facebook.com/groups/257353645552691/

A importância deste fontenário decresce à medida que se generaliza o abastecimento de água canalizada nas habitações do Sítio das Casas Próximas.

A casa em que estava incrustada a estrutura do fontenário e o terreno envolvente foram demolidos no início do séc. 21, para dar lugar ao Centro Cívico inaugurado a 29 de abril de 2007, onde funcionam um auditório, um espaço multimédia, a Biblioteca Municipal do Curral das Freiras, inaugurada a 11 de fevereiro de 2010, um parque de estacionamento e uma nova praça na cobertura.

Retirado do seu anterior enquadramento, o fontenário histórico foi preservado e recolocado neste local próximo, evocando memórias ainda hoje vivas.

Fontenario1.jpg

S.n., ant. 2000? Fonte: Herança do Curral das Freiras, https://www.facebook.com/groups/257353645552691/, postada a 27 de janeiro de 2021

A partilha desta imagem do antigo fontenário suscitou vários comentários nostálgicos e memórias como estas:

“A fonte do Adro da Igreja! Já muitos tinham perguntado/pedido uma foto da nossa fonte, encontrei esta, espero que dê para matar saudades enquanto continuamos à procura de uma melhor! Muitas memórias tenho eu desta fonte, aqui vim buscar água quase todos os dias e enchi muita pistola de água durante os arraiais!”

“Conheci bem a minha comadre e o meu compadre que vendia os doces [nos arraiais] encostado à casa da D. Bela [Bela Dória Camacho (1896-1981), proprietária da casa fronteira] e logo à frente tinha o fontenário onde se ia buscar água”.

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