Roteiro das Casas com Histórias do Curral das Freiras
LAVadouro Público
Rampa do Cemitério, adro da Igreja – Sítio das Casas Próximas

Estes equipamentos públicos são estruturas geralmente localizadas junto às levadas, construídos em pedra ou em cimento e utilizados para a lavagem comunitária da roupa.
Antes da existência de lavadouros públicos, as roupas eram lavadas na ribeira ou nas levadas, no Curral das Freiras como em toda a ilha. Para esta tarefa, procurava-se o melhor local da ribeira ou das levadas, com água mais limpa, e assegurava-se um “coradouro” ( local onde estender a roupa ensaboada ao sol). Tradicionalmente, era usado sabão artesanal, feito com sebo, anil, cinza de plantas ricas em potassa (como a feiteira) e plantas aromáticas. Esta mistura era cozida e solidificada na forma de barras de sabão, que eram cortadas à medida das necessidades. Os procedimentos da lavagem incluíam separar a roupa branca da roupa de cor e esfregá-la com sabão, molhando-a várias vezes e torcendo-a depois para retirar a água. A roupa branca, depois de ensaboada, era estendida ao sol para “corar”, ou seja, para branquear pela ação do calor. Assim se mantinha durante algum tempo, salpicada com um regador ou à mão. Só depois era definitivamente passada por água, para lhe retirar o sabão. No transporte da roupa eram usados “cestos de roupa” em vime branco (descascado).
Neste mesmo local funcionava pelo menos desde 1938 um pequeno lavadouro público numa instalação rudimentar, que se considerou necessário dotar de condições mais dignas em 1951.
Esta data não é alheia ao facto de que Jaime Ornelas Camacho (1921-2016), natural do Curral das Freiras, Engenheiro Civil que assina o projeto do novo lavadouro público a 17 de julho de 1951, ter trabalhado entre 1950 e 1952 no serviço de Assistência Técnica aos Municípios Rurais, da Direção de Obras Públicas da Junta Geral do Funchal. Nesta fase do seu percurso profissional, propõe e desenvolve alguns melhoramentos no seu Curral natal, entre os quais este lavadouro público, que à época importou em 7000 escudos à Câmara Municipal de Câmara de Lobos, a quem a Junta Geral remeteu o projeto.
Na memória descritiva, o autor do projeto refere que se trata de “um pequeno melhoramento cuja necessidade se torna evidente”, realçando o “aproveitamento máximo do local e materiais existentes”, certamente como forma de economizar recursos públicos numa época em que eles eram parcos e as necessidades de investimento muitas.
Várias habitantes recordam ainda a sua utilização nos anos 60 e 70. Subsiste também a memória de outras funções deste espaço, como o imprevisto recurso ao lavadouro como local de autópsia em duas ocasiões em meados dos anos 1950, quando a estrada para o Funchal não estava ainda concluída.
Este lavadouro público funcionou até os anos finais da década de 1970, à medida que decresce a sua utilidade, com a generalização da água canalizada nas habitações do sítio das Casas Próximas.
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